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As pessoas sensíveis

abrapira:

As pessoas sensíveis não são capazes 
De matar galinhas 
Porém são capazes 
De comer galinhas 

O dinheiro cheira a pobre e cheira 
À roupa do seu corpo 
Aquela roupa 
Que depois da chuva secou sobre o corpo 
Porque não tinham outra 
O dinheiro cheira a pobre e cheira 
A roupa 

Que depois do suor não foi lavada 
Porque não tinham outra 

«Ganharás o pão com o suor do teu rosto» 
Assim nos foi imposto 
E não: 
«Com o suor dos outros ganharás o pão» 

Ó vendilhões do templo 
Ó construtores 
Das grandes estátuas balofas e pesadas 
Ó cheios de devoção e de proveito 

Perdoai-lhes Senhor 
Porque eles sabem o que fazem. 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in ‘Livro Sexto’

via furchten

não sejamos demasiadamente fúteis nem medrosos, porque a vida tem de ser sorvida não como uma taça que se esvazia, mas que se renova a cada gole bebido.
Mas se eu estiver agachado num canto tapando a cara não escutarei o rumor do vento nas árvores do mundo - que eu sempre quis tanto entender mesmo por um só dia, quem sabe o último dia. Nem saberei se o prato das inevitáveis perdas pesou mais do que o dos possíveis ganhos.
Lya Luft; in Perdas & Ganhos (via eu-sem-poesia)
… por mais que os escritores escrevam, os músicos componham e cantem, os pintores e escultores joguem com formas, cores e luzes - , por mais que o contexto paralelo da arte expresse o profundo contraditório sentimento humano, embora dance à nossa frente e nos convoque até o último fio de lucidez, o essencial não tem nome nem forma:
é descoberta e assombro, glória ou danação de cada um.
Lya Luft; in Perdas & Ganhos (via eu-sem-poesia)
Viver, como talvez morrer, é recriar-se a cada momento.
Algumas visões serão miragens: ilhas de algas flutuantes que nos farão afundar. Outras pendem em galhos altos demais para a nossa tímida esperança. Outras ainda rebrilham, mas a gente não percebe - ou não acredita.
Não é preciso realizar nada de espetacular.
Mas que no mínimo seja o máximo que a gente conseguiu fazer consigo mesmo.
Lya Luft; in Perdas & Ganhos (via eu-sem-poesia)

A Dor - tem um Elemento de Vazio -
Não se consegue lembrar
De quando começou - ou se houve
Um tempo em que não existiu -

Não tem Futuro - para lá de si própria -
O seu Infinito contém
O seu Passado - iluminado para aperceber
Novas Épocas - de Dor.

© Emily Dickinson, A dor tem um elemento de vazio, in Poemas e Cartas

  • Tradução de Nuno Júdice
  • Foto: Unknown - Louis Treserras

(Fonte: artbeautypaintings)

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